segunda-feira, 11 de julho de 2011

Uma palavrinha verde

Lia está sempre buscando palavras novas.

Algumas não são bem novas, apenas revisitadas.

Outras, ela nem precisa procurar – esbarra nelas. Nem sempre estas palavras que andam soltas por aí, livres ao vento, prontas para serem esbarradas, são muito agradáveis para se encontrar. Não é possível saber se fugiram de alguma cabeça enlouquecida ou se caíram de outra, cheia de planos esquisitos e tolices desvairadas...

Recentemente Lia, sem querer, esbarrou na palavra GANÂNCIA.

Foi quando ela ficou sabendo de um grupo de pessoas que, sonhando com lucros e poder, pretendiam atravessar uma cidade verde com indústrias e carros. Eram os gananciosos: uma categoria de pessoas, completamente diferentes, que prometendo modernidade e crescimento com argumentos mirabolantes, influenciavam os mais crédulos, manipulando e enganando, para mais tarde conseguirem vantagens pessoais.

Lia, que havia ficado muito amiga dos números, sabia que a ganância é o egoísmo elevado à décima potência, mas precisou pesquisar para saber também que a ganância é um vírus forte e truculento. 

Imaginem: cortar uma cidade verde para construir fábricas! Era mesmo uma louquice – aquela mistura visguenta de loucura com tolice.

      
 O que seria das árvores?
 O que seria dos animaizinhos que moram nas árvores?
 O que seria das pessoas que cuidam dos animaizinhos que moram nas árvores?
 O que seria da cidade que vive das pessoas que cuidam dos animaizinhos que moram nas árvores?

 Lia ficou pensando qual seria a palavra que poderia combater a tal ganância...

 Por mais que procurasse não conseguia encontrar.Lia batia na testa para ver se uma palavrinha salvadora caía e nada. Chamou duas coleguinhas e nada...



- Não somos muitas, pensou. Naquela noite Lia dormiu abatida.

Mas, pela manhã, lá estava ela: uma palavrinha verde que tinha um cheirinho gostoso de pudim de baunilha, comido com colher grande na cozinha quentinha da avó.

Lia saiu correndo para mostrar aquela palavra para todas as pessoas da cidade ameaçada. Elas precisavam saber que existe uma palavra que pode ajudar. Forte, mas doce, decidida, mas meiga, poderosa e verdadeira:

Todos juntos, de mãos dadas, poderiam proteger a cidade com seus animaizinhos e suas árvores. Juntos poderiam construir uma ponte que unisse as pessoas da cidade e não um corredor que as separasse.



Lia está solidária às reivindicações da população de Embu das Artes/SP.
Já assinou a petição dizendo NÃO AO CORREDOR INDUSTRIAL - E você?
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