quinta-feira, 7 de março de 2013

É Onça Mesmo!

Você conhece a canção da Onça Parda?
Venha cantar conosco:

Uma onça-parda foi avistada em Embu das Artes - São Paulo, na região da Área de Proteção Ambiental (APA) Embu Verde.Para saudá-la, fizemos este vídeo.

Preservar é impedir a destruição!

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Açúcar queimadinho




Lia foi visitar uma amiguinha. Era uma amiguinha com um nome muito especial:
Rosa + Ana - tão linda como uma rosa e trazia no coração a meiguice que todas as Anas parecem possuir.


Encontrar amigos é como uma festa, todos os nossos pensamentos se alinham ligeiros só para trazer alegria ao amigo e todos os nossos sentidos despertam para colher as alegrias que o amigo nos trás.

E assim foi.





Queriam comemorar a alegria de estar juntas. Precisavam compartilhar algo! Foram então para a cozinha que é o lugar onde se misturam as combinações únicas de aromas e sabores que guardam as nossas primeiras lembranças.
Bem aquecidas e confortáveis, resolveram fazer uma sobremesa simples: sorvete com banana caramelizada: açúcar na caçarola, um pouquinho de canela, fogo baixo enquanto os cristaizinhos do açúcar se transformam em doce melado.

Eram tantas as novidades para contar...

Conversar é uma forma de apropriação do universo do outro. Ouvimos o que nos contam e contamos coisas que o outro nem pode imaginar - dividimos e multiplicamos ao mesmo tempo. Conversa vai, conversa vem...Conversa vem, conversa vai...

Ai... Ai... Ai...Um cheirinho...
- Açúcar queimadinho!
A atenção é uma senhora que mora em um só lugar. Conversando as amigas deixaram a calda de açúcar queimar, mas com amizade e alegria tudo se resolve. Brincando e rindo lavaram tudo e recomeçaram com mais atenção, para deixar bem gostoso o lanche que perfumou de novo  a casa com aromas de carinho e afetividade.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

TSCHINI

Lia aprendeu esta palavra - aliás este nome - QUE LINDO NOME!
"O nome dela é TSCHINI
e tem o rosto rosado;
o cabelo tão bonito,
comprido e ondulado,
com pedrinhas de brilhantes
e flores é enfeitado."
Antonio Ricardo Cardoso no livro
Quem Protege as Crianças?

terça-feira, 20 de setembro de 2011

O homem que não era isto,nem aquilo

Lia passeava com suas palavras quando, de repente, algo caiu bem em cima da  sua cabeça, vindo não sei de onde.
Eram notas musicais. Mas não entraram pelo ouvido como a música ou o canto dos pássaros... Elas pesaram em seus ombros a ponto de envergarem o seu pescoço.



Sim – eram mesmo pássaros. Não havia dúvida.
Mas era um canto amargo, triste e cinza como uma prisão.
- Prisão?
Lia olhou para cima e descobriu – Eram pássaros presos em gaiolas na varanda de um apartamento!




 

Decidida, subiu correndo a escada e bateu na porta.
- Toc, toc, toc...
- Toctoctoc – mais apressada
- TOCTOCTOC – apressada e nervosa.
- TOCTOCTOC – apressada, nervosa E BATENDO FORTE.

Atendeu um senhor. Não era alto nem baixo. Não era feio nem bonito,

Nem gordo nem magro. Era como qualquer um.
- Diga menina, o que deseja?

 - O senhor tem pássaros nas gaiolas?

- Ah! Os pássaros. Você os ouviu, não é?
É um lindo canto. Gosta? Entre, pode escutar de perto.

- Mas eu não quero escutar de perto – quero soltá-los!


- Soltar os meus pássaros? Enlouqueceu?

 - Não são seus – são da Mãe Natureza!

 - São meus sim. Eu os alimento, cuido deles. Não vão saber viver fora da minha gaiola.

- O senhor não aprendeu a viver fora da barriga da sua mãe?

Mas que menina impertinente!
- É diferente, menina. Eu Gosto deles!

- Sua mãe também gostava do senhor!

Lia pensou rápido: o homem não assustava.

Não tinha cara nem boa nem má... Quem sabe ela ainda poderia plantar uma palavrinha boa naquele coração? Quem ainda não é nem mau nem bom, pode ser qualquer coisa – pode até ficar muito bom!

- O senhor também gosta da sua esposa? Disparou de supetão.

- Sim! Eu a amo muito! Respondeu o homem sem atinar com aquela pergunta esquisita, feita assim à queima roupa, sem ter nem pra quê!

- E o senhor também a prende em uma gaiola? Retrucou Lia.


Não era feio nem bonito, nem bom nem mal, mas não era tolo. Entendeu imediatamente!
Amor não combina com prisão.

O homem que não era nem isto nem aquilo juntou todas as suas gaiolas, tomou Lia pela mão e juntos foram procurar um parque – nos dias de hoje, coisa rara na cidade.  Mas encontraram.

Juntos abriram as portinhas das gaiolas e ficaram observando.

O homem estava com o seu coração apertadinho, já inchadinho de saudade antecipada, mas resistiu.


Primeiro houve um bater de asas desengonçado.
Depois um vôo curto.
Outro mais ousado, e outro e outro mais.
E houve um cantar sem fim.
E o homem que não era nem velho, nem menino, entendeu a LIBERDADE.










segunda-feira, 11 de julho de 2011

Uma palavrinha verde

Lia está sempre buscando palavras novas.

Algumas não são bem novas, apenas revisitadas.

Outras, ela nem precisa procurar – esbarra nelas. Nem sempre estas palavras que andam soltas por aí, livres ao vento, prontas para serem esbarradas, são muito agradáveis para se encontrar. Não é possível saber se fugiram de alguma cabeça enlouquecida ou se caíram de outra, cheia de planos esquisitos e tolices desvairadas...

Recentemente Lia, sem querer, esbarrou na palavra GANÂNCIA.

Foi quando ela ficou sabendo de um grupo de pessoas que, sonhando com lucros e poder, pretendiam atravessar uma cidade verde com indústrias e carros. Eram os gananciosos: uma categoria de pessoas, completamente diferentes, que prometendo modernidade e crescimento com argumentos mirabolantes, influenciavam os mais crédulos, manipulando e enganando, para mais tarde conseguirem vantagens pessoais.

Lia, que havia ficado muito amiga dos números, sabia que a ganância é o egoísmo elevado à décima potência, mas precisou pesquisar para saber também que a ganância é um vírus forte e truculento. 

Imaginem: cortar uma cidade verde para construir fábricas! Era mesmo uma louquice – aquela mistura visguenta de loucura com tolice.

      
 O que seria das árvores?
 O que seria dos animaizinhos que moram nas árvores?
 O que seria das pessoas que cuidam dos animaizinhos que moram nas árvores?
 O que seria da cidade que vive das pessoas que cuidam dos animaizinhos que moram nas árvores?

 Lia ficou pensando qual seria a palavra que poderia combater a tal ganância...

 Por mais que procurasse não conseguia encontrar.Lia batia na testa para ver se uma palavrinha salvadora caía e nada. Chamou duas coleguinhas e nada...



- Não somos muitas, pensou. Naquela noite Lia dormiu abatida.

Mas, pela manhã, lá estava ela: uma palavrinha verde que tinha um cheirinho gostoso de pudim de baunilha, comido com colher grande na cozinha quentinha da avó.

Lia saiu correndo para mostrar aquela palavra para todas as pessoas da cidade ameaçada. Elas precisavam saber que existe uma palavra que pode ajudar. Forte, mas doce, decidida, mas meiga, poderosa e verdadeira:

Todos juntos, de mãos dadas, poderiam proteger a cidade com seus animaizinhos e suas árvores. Juntos poderiam construir uma ponte que unisse as pessoas da cidade e não um corredor que as separasse.



Lia está solidária às reivindicações da população de Embu das Artes/SP.
Já assinou a petição dizendo NÃO AO CORREDOR INDUSTRIAL - E você?
Quer saber mais?
Clique no link - Participe!
http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=apaembu

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A menina que plantava Palavras

Lia conhecia muitas palavras. Ela era filha de Bia, que lia de noite, escrevia de dia e relia de madrugada.

Lia gostava das palavras. Ela havia aprendido com sua mãe que as palavras contavam, surpreendiam, acariciavam. O que Lia não sabia é que as palavras floresciam!

Mas ela descobriu.

Foi numa destas manhãs em que a gente levanta meio triste, meio sem sorriso, com poeirinha no olho sem saber por quê.

A cabeça de Lia estava cheia de pensamentos. Muito cheia mesmo. Ela pensava na pombinha que beliscava restinhos na calçada, na sombrinha cor de sorvete de morango que havia visto na vitrine, nas luzes fortes das luminárias que piscavam na sua janela enquanto ela queria dormir. Lia pensava nos números do seu caderno de matemática, bem escondidinho no fundo da mochila – eles bem que podiam fugir pelo buraquinho do rasgado que ela não ia sentir falta!
Lia pensou também em Bida e foi um pensamento ruim. Bida parecia ser mais amiga dos números do que a professora de matemática!! Lia pensava e pensava. Pensava tanto que, de repente, uma palavra escapuliu da sua cabeça, escorregou redonda pelos seus cabelos e se alojou em um cantinho de terra, na beira do caminho.

Lia ficou olhando e tentando ler a palavrinha que começou a germinar e virar um brotinho vermelho. Lia leu: IN-VE-JA.

— Inveja?

A palavrinha havia se transformado em uma  flor estranha e cheia de espinhos. Brotou tão rápido e floresceu mais rápido ainda.
- Como havia ido parar ali?
- Havia caído da sua cabeça?

Uma tristeza sombria, igual a uma grande noite escura, invadiu o seu coração quando percebeu que inveja era o que ela havia sentido por Bida e seus números.

Lia ficou confusa e resolveu voltar para casa — aquela brotação inesperada tinha sido demais para um início de dia!
Foi voltando que Lia percebeu: no caminho já havia brotado um jardim inteiro! Havia vários tipos de flor, todas muito estranhas. Algumas tinham espinhos, farpas e tinha até uma que de longe cheirava mal.
E Lia pensando e pensando... Se uma flor tão cheia de espinhos tinha saído da feia inveja, talvez flores mais bonitas pudessem nascer de palavras bonitas! Então era fácil! Lia resolveu: amanhã iria sair bem cedo e no caminho só pensaria palavras bonitas. Fez até uma listinha: amor, carinho, atenção, rosa (da cor de sorvete de morango)...

Na manhã seguinte Lia saiu pensando e pensando. Pensando e pensando repetia a listinha com todo cuidado. Amor, carinho, atenção, rosa – amor, carinho, atenção, rosa... Quando achou que já havia pensado bastante olhou para trás para ver se as palavrinhas estavam caindo. Ela queria formar um caminho bem bonito.

Mas Lia viu que as florinhas que brotavam estavam pequeninas e raquíticas. Umas nasciam e murchavam imediatamente. Lia voltou para casa triste. E, em seu caminho, as flores ficavam cada vez menores e sem cores.

Em casa, Lia resolveu parar de pensar e foi brincar com os seus números. Eles não haviam fugido e esperavam pacientemente que ela os arrumasse em contas exatas e fileiras ordenadas.

Lia nem percebeu o tempo passar e resolveu todos os exercícios atrasados. Dormiu feliz. Acordou ainda mais feliz, na expectativa de mostrar seu caderno para a professora. Pelo caminho da escola Lia não pensava o que queria pensar. Palavras de alegria haviam invadido a sua cabecinha, por que alegria é assim – se você deixar, ela toma conta de tudo.

Sem controle, as palavras começaram de novo a cair da cabeça de Lia. Floresciam instantaneamente.

E Lia pensando...

Apenas as palavras que nasciam do seu coração, como a alegria que estava sentindo, floresciam fortes. Se fossem palavras de um sentimento bom – flores fortes e bonitas, se fossem palavras de um sentimento ruim como a inveja que ela havia sentido de Bida – flores fortes, mas que pareciam conter um veneno capaz de apagar até a luz do dia.
Palavras que saiam apenas da cabeça como a listinha que havia repetido sem parar, só davam flores fracas e sem cor que logo morriam – não tinham força.


Então Lia entendeu:
era preciso semear as palavras bonitas que surgiam no coração.
Ela podia afinal, escolher que tipo de jardim queria plantar! 


Texto e ilustrações: Fátima Seehagen